sábado, 10 de outubro de 2009
Para reflectir...
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Será possível pensar, Deus?

Certamente que alguns, mesmo antes de colocarem a pergunta, já saberão dar a resposta exacta ao título, sobretudo aqueles que já têm muitas certezas formuladas. Mas a pergunta não é de resposta fácil, aliás nem saberemos se tem resposta! Mas o que cada um saberá é que mais do que nunca parece que precisamos d’Ele, ou pelo menos de O pensar como tábua de salvação. Como afirmava Etty, se “Deus não me ajudar mais, nesse caso hei-de eu ajudar a Deus” (Etty Hillesum, Diário, Assírio e Alvim, 245). E quem disse isto sabia do que falava porque experimentou na carne e nos ossos o horror do holocausto.
João Paulo Costa
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Do pós-humanismo à Humanidade

segunda-feira, 28 de setembro de 2009
sábado, 26 de setembro de 2009
Menino de Jesus de Praga e o Princepezinho
Bento XVI vai coroar o Menino Jesus de Praga
Visita do Papa à República Checa dará visibilidade a Cristo
![]() AIS A visita do Papa à República Checa, de 26 a 28 de Setembro, voltará a dar "visibilidade e presença" a Cristo, num país em que apenas 25% da população se declara crente, afirmou o Pe. Petr Sleich, prior do Carmelo de Praga. Apesar dos números e do baixo índice de vocações, o sacerdote está optimista: "Essa situação pode mudar rapidamente, como já pudemos comprovar com os nossos próprios olhos, quando, há 20 anos, caiu a Cortina de Ferro". O prior do Carmelo afirma não estar certo de que "o número dos não-crentes seja realmente tão alto como dizem. (...) Algumas pessoas sentem-se inseguras quando se abordam questões relacionadas com Deus, mas eu não garantiria que carecem de fé”. As palavras do Pe. Sleich são reforçadas pelo seu itinerário cristão: foi baptizado aos 20 anos, quando estudava Matemática, sendo o que comummente se designa de “vocação tardia”. Hoje, quase toda a sua família é católica. Devoção ao Menino Jesus de Praga estende-se a todos os continentes Um dos primeiros gestos de Bento XVI depois de chegar à capital, será a coroação do Menino Jesus de Praga. A imagem, que se encontra na Igreja de Santa Maria da Vitória desde 1628, recebe anualmente quase um milhão de peregrinos. A sua devoção começou no século XVI, tendo-se estendido a todos os continentes, sendo especialmente activa na Índia, onde existem vários santuários. “Muitos checos que se declaram não-crentes amam o Menino Jesus de Praga, e estou certo de que muitos acabarão por se tornar amigos dEle", afirmou o Pe. Sleich. "O coração humano é sensível à imagem do Menino Jesus, e o Natal também é uma festa querida e apreciada por pessoas não muito crentes na República Checa, apesar de ser considerada a nação mais marcada pelo ateísmo na Europa." "Quando, no nosso santuário, as pessoas têm diante de si Deus representado como uma criança, não sentem medo; pelo contrário, porque Ele pede o nosso amor, o nosso coração, as nossas mãos e a nossa ajuda", sublinha o prior. A tradição conta que Santa Teresa de Ávila presenteou o Menino a uma nobre espanhola; esta, por sua vez, ofereceu-o à filha, aquando do seu casamento, em Praga. Durante a Guerra dos Trinta Anos, a imagem foi profanada por soldados da Saxónia, que partiram as suas mãos e a atiraram para um monte de escombros atrás do altar. Segundo uma lenda, a imagem foi encontrada pelo carmelita luxemburguês Cirilo a Matre Dei, a quem, numa visão, o Menino Jesus suplicou que devolvesse as suas mãos, prometendo-lhe: "Quando mais me honrardes, mais vos abençoarei!". A devoção ao Menino Jesus de Praga foi guardada por Santa Teresa de Lisieux e Santa Teresa Benedita da Cruz, entre outros. O poeta francês Paul Claudel dedicou-lhe um poema. Recentemente, o arcebispo de Praga, Cardeal Miroslav Vlk, declarou a igreja que alberga o Menino Jesus de Praga como segundo santuário do país. Menino inspirou "O Principezinho" O Pe. Sleich revela que a conhecida história «O Principezinho», de Antoine de Saint-Exupéry, está inspirada no Menino Santo. "O que poucos sabem é que Antoine de Saint-Exupéry estava muito familiarizado com a veneração do Menino Jesus de Praga. O seu livro é lido nas escolas por não se tratar de uma obra religiosa, mas a verdade é que o é em altíssimo grau, pois inspira-se directamente no Menino Jesus de Praga. Um menino que vem do céu, que oferece a sua amizade, morre e volta às alturas..." "As crianças que visitam o Menino Jesus de Praga entendem que ele não é uma peculiaridade católica estranha e compreendem a sua mensagem", acrescenta o sacerdote. "São precisamente os símbolos que não precisam de longa reflexão os mais eficazes”, concluiu. Com Zenit |

Ken Loach
INTÉRPRETES
Bruce Jones, Julie Brown, Gemma Phoenix, Ricky Tomlinson, Tom Hickey, Mike Fallon, Ronnie Ravey, Lee Brennan, Karen Henthorn, Christine Abbott, Geraldine Ward.
Uma exegese possível...
Estamos na Irlanda. Numa cidade profundamente católica.
O filme de Ken Loach inicia com Bob, personagem principal, a roubar um carneiro para fazer algum dinheiro. O desemprego surge como a causa da degradação social. Bob não tem emprego há alguns meses. Recebe uma pequena pensão da Segurança Social que, a par de alguns biscates (vendedor, canalizador, segurança…), vai dando para pagar as contas de casa. O problema agrava-se quando lhe roubam a sua modesta carrinha de trabalho.
Bob é um bom católico (procura ensinar à filha o significado da primeira comunhão mas sem grande êxito!) e pai de família que faz tudo para que nada falte à sua esposa e filha, apesar de viverem com grandes dificuldades financeiras. Esta vai fazer a primeira comunhão. Embora o padre diga que não é preciso gastar dinheiro com a festa (há pessoas que emprestam vestidos), Bob quer dar o melhor vestido à filha (Coleen), ou pelo menos algo digno para que não se sinta envergonhada, pois este será para ela o “dia mais importante da sua vida”. Contudo, o vestido completo fica muito caro e Bob não tem esse dinheiro para pagar. Mesmo assim, e contrariando a vontade da sua esposa (Ane), pensa que a sua obrigação fazer a filha feliz. Decide pedir dinheiro emprestado numa agência. Mas como não arranja emprego não consegue saldar as dívidas (o vestido e carrinha nova que comprou) que será comprada por mafiosos a quem ficará a dever e obrigado a pagar após várias ameaças à sua família. Ao seu amigo Tommy acontece-lhe o mesmo, pois deve em todo o lado, sobrevivendo à custa da filha, que ganha o dinheiro a passar droga e na prostituição sem o pai saber.
Então numa noite decide esperar pelo chefe dos cobradores de dívidas para acertar contas… Algo corre mal e Bob provoca o acidente que vitima o seu credor… Com remorsos, recorre ao sacerdote da comunidade, contando-lhe o que se passou e que se ia entregar à polícia. O sacerdote (father Harry) desaconselha-o ao constatar que foi um acidente: “vais por em causa a tua liberdade e a felicidade da tua família por causa de um corrupto?... Pessoas como tu estão sedentas de justiça, e em nome de Cristo – fonte da vida – bem mercês tê-la”. Bob confessa-se e participa na primeira comunhão da filha.
O filme apresenta-nos o contexto pós- thatcherismo, de miséria e delinquência, jovens inseridos no mundo da droga, falta de trabalho… Mesmo praticantes e com fé cada um vai-se agarrando ao que se pode para garantir a sua subsistência… Vemos uma Igreja sacramental, desligada do mundo real das pessoas. O filme retrata tendencialmente os anónimos da "classe trabalhadora" revelando as suas dificuldades, problemas e condições de vida, retratos com a intenção de promover uma melhor consciencialização da sociedade contemporânea. Para agravar o problema, Ane tenta arranjar emprego mas por falta de prática é logo despedida porque o patrão não está com paciência para ajudar… Os outros trabalhadores assistem passivamente ao seu despedimento e humilhação.
Poderíamos colocar a pergunta: tudo isto por causa de uma primeira comunhão? Não. O problema fundamental não esse… O filme procura colocar em evidência a sobrevivência de uma família perante tantas dificuldades e nestas conseguir realizar a felicidade de Ane… Apesar dos tormentos, Bob faz por tudo para conseguir tal desejo… E apesar de tudo é uma família feliz. Mas não será que a religião leva a isso, as pessoas a darem aquilo que não têm ou não podem dar (diálogo entre Bob e o seu cunhado comunista), esquecendo-se da situação social em que muitas vivem? Ou refugiarem-se numa fé de fórmulas, sem Caridade? É preferível dar um vestido e ficar com contas para pagar e sem comida? O problema não está na festa, mas numa sociedade que não garante aos seus cidadãos o bem-estar e o trabalho digno para viver uma vida feliz.
É curioso o diálogo entre Bob e o seu cunhado: «procura lá respostas quando ela é parte do problema… cinco ave-marias não vão resolver os problemas… impede-te de pensar pela tua própria cabeça…Precisas é de trabalho… Quando se é trabalhador chove sete vez pedras de chuva”. Este diálogo entre um crente e um ateu é relevante porque coloca em confronto dois modos de ver a realidade. Uma Igreja que não leve à mudança fecha-se em si mesma, sem abertura ao mundo real, incapaz de fazer discípulos no mundo real. Predomina a ideia de uma Igreja que se basta a si própria, que se vê mais como poder e não como serviço.
João Paulo Costa
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Cristianismo e cultura

Na era da crença descafeinada
Os tempos que correm assemelham-se a um dispositivo de proliferação de crenças, domesticadas por um subjectivismo portátil, crenças indolores, individualistas, transversais, descontínuas, consensuais, inofensivas. Declinam-se regressos, o do sagrado, o dos anjos, o das origens cristãs, mas numa narrativa escorreita, sem sobressaltos, nem fracturas. O religioso enche a montra todo o ano. Fala-se da recuperação da alma, mas não do que se omite na articulação culturalmente correcta desse discurso.
Na feira do Livro de Turim, por exemplo, correndo o ano da graça de 2006, o grande acontecimento editorial era o redescoberto Evangelho gnóstico de Judas, e o fragmento eleito para a divulgação, este: “Levanta os olhos e observa as nuvens, a luz nas nuvens, e as estrelas em redor. A estrela que indica o caminho é a tua estrela”. Quanto mais etérea a mensagem, maior o fascínio.
Recordo o que escreve Slavoj Zizek, em “A subjectividade por vir” (Relógio d’Água, 2006): “Talvez a proibição que recai sobre a adesão apaixonada a uma crença explique por que motivo a «cultura» tende a tornar-se hoje uma categoria central no mundo e nas nossas vidas. A religião é permitida – não como forma substancial de vida, mas como modo de «cultura»”. Zizek aborda a recepção do filme de Mel Gibson, um objecto que não aprecia, mas que lhe serve para pensar “a Paixão na era da crença descafeinada”.
O caminho que ele aí aponta, contrariando o hedonismo espiritualista e evanescente, tão do apetite pós-moderno, é a redescoberta de “um materialismo consequente”.
Numa outra obra, em que enfrenta mais sistematicamente a situação do cristianismo contemporâneo (The fragile absolute or, Why is the Christian legacy worth fighting for?, 2001), tematiza esse “materialismo consequente” tomando a categoria da “desconexão”.
O cristianismo nasceu como uma comunidade de excluídos, na linha dos grupos excêntricos, e a verdadeira desconexão cristã “não é uma atitude de contemplação interior, mas a de um trabalho activo de amor que conduz necessariamente à criação de uma comunidade alternativa”.

